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1001 Filmes – #5: Intolerância

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Em A Invenção de Hugo Cabret existe uma cena, próxima do final, na qual Scorsese enche a tela de cenas clássicas de filmes mudos. Todas elas remasterizadas e convertidas para o 3D. De repente surge um plano de Intolerância. É um filme de 1916 mas o plano continua impressionante ainda hoje. Três mil figurantes enchem um cenário gigante de 2 km de extensão todo construído do zero.

Esqueça Avatar, esqueça Titanic. Nada é maior que Intolerância. Feito enquanto o diretor lançava O Nascimento de uma Nação, Intolerância é, sem sombra de dúvidas, o filme mais ambicioso que eu já assisti.

Cenário de dois quilômetros de extensão com três mil figurantes.
Cenário de dois quilômetros de extensão com três mil figurantes.

D. W. Griffith fez o aterrador O Nascimento de uma Nação. Talvez uma das obras mais racistas já feitas. A crítica pegou tão pesado que Griffith precisou reagir com seu Intolerância. Um filme que, diz ele, trata da tragédia do amor diante da intolerância.

Para falar a verdade, o filme é um tratado de Griffith a favor da liberdade de expressão. Ou seja, o cara acha que um racista tem o direito de se expressar a favor do racismo. Deixando a polêmica de lado. Intolerância é, na minha opinião, o filme mais importante do diretor.

Nas minhas aulas de História da Linguagem do Cinema, o professor falou que costuma demonstrar o poder da montagem de Intolerância colocando o filme passando ao lado de Matrix. O ritmo de edição é o mesmo.

Deve-se levar em conta que Intolerância é de 1916 e Matrix é de 1999. Por isso mesmo assumo o valor que dou para a obra de Griffith. Ele conta quatro histórias intercaladas. Trechos da vida de Jesus, um massacre na Babilônia, o massacre dos protestantes no dia de São Bartolomeu na França e um casal em dias contemporâneos ao lançamento do filme.

As histórias não são contadas uma atrás da outra. A edição corta de um episódio pro outro. À medida em que o suspense aumenta em cada um, os cortes vão ficando mais rápidos, fazendo com que cada história chegue ao clímax junto. Cada uma conta com uma elaborada construção de sequências, uma orgia na Babilônia, os massacres, uma perseguição ao lado de um trem.

No final, a mensagem de esperança. Griffith passa a ideia de que com o passar do tempo, as pessoas avançam e conseguem vencer desafios perdidos anteriormente.

Um atestado da capacidade do diretor como roteirista e montador. Veio a influenciar o cinema revolucionário socialista. Complicado demais para seu tempo, Intolerância fui um fracasso. Mas sua magnitude continua memorável.

Deixo o filme abaixo.

[youtube=https://www.youtube.com/watch?v=-zzXYPJAGkg]

GERÔNIMOOOOOO…

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