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Bling Ring – A Gangue de Hollywood

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Chegou o novo filme da Sofia Coppola. Mais uma vez com temática relacionada a juventude desperdiçada e o mundo das celebridades. Desta vez ela é bem mais direta, trata de jovens dos dias atuais e das celebridades que vemos todos os dias na internet e em revistas de fofoca.

Grupo de adolescentes descobre um novo hobby. Invadir e roubar casas de pessoas famosas em Los Angeles. A história é inspirada em fatos reais e justamente por isso ganha um tom mais ácido em sua crítica. Saber que aquelas pessoas realmente existem e que provavelmente são daquele jeito incomoda.

O filme foca no personagem Marc. Ele precisa estudar em uma escola para alunos problemáticos onde conhece Rebecca. Ela o ensina a roubar carros, os atos escalam para roubo de casas e eventualmente alcança o ápice de tratarem a casa da Paris Hilton como um shopping.

Marc, Rebecca e todo o grupo com o qual convivem são pessoas ricas e sem nada para fazer. No tédio da classe alta, tema comum à diretora, eles se focam em acompanhar a vida de celebridades e a moda. Sabem os nomes de todas as marcas de luxo de bolsas, roupas, sapatos e até de óculos escuros.

Todos possuem pais distantes ou obtusos. Sejam pais que abandonam o filho em casa por conta dos empregos que exigem que vivam distantes. Pais que não dão atenção por conta de divórcio. Ou até a mãe que é tão superficial e tola quanto as filhas.

A mãe dando aula sobre... Angelina Jolie.
A mãe dando aula sobre… Angelina Jolie.

Coppola usa seu estilo padrão de acompanhar as coisas sem impor tons. Mas com o universo representado acaba virando ironia. Faz cortes entre os personagens demonstrando o egoísmo com suas declarações após serem pegos. Os diálogos da mãe que dá aulas para as filhas em casa são de uma superficialidade tão grande que impressiona. Ela acredita que está preparando as filhas para a vida sendo que é visível que elas estão apenas aprendendo argumentos para seus comportamentos.

A estilização da diretora funciona bem para retratar as vida cercada de vidro das celebridades que são vítimas dos personagens. Os atores estão todos bem. Por mais que a Emma Watson seja a atriz famosa do filme, ela não é a protagonista e não se destaca sobre os outros, mesmo que esteja muito bem. A Leslie Mann como a mãe é hilária, excelente escolha para o papel.

Emma Watson! O que que é isso?
Emma Watson! O que que é isso? Vai ali se cobrir, menina!

O que pega no filme é o ritmo. Chega em um ponto em que fica numa repetição chata. Eles invadem as casas, roubam como se fizessem compras, vão pras baladas e usam drogas, invadem as casas, roubam como se fizessem compras, vão pras baladas e usam drogas. Só sai disso quando mostra detalhes das vendas dos itens roubados. Como o envolvimento com o traficante que compra Rolex ou o camelô que criam para vender as bolsas de marca.

O filme flerta com uma trama mais profunda relacionada à amizade de Marc com Rebecca. De vez em quando explora um pouco isso, mas no final é tão superficial nesse aspecto quanto os próprios personagens.

É possível rir muito com a ironia. Mas o filme não chega nem perto dos melhores trabalhos de Sofia Coppola.

 

FANTASTIC…

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