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O Homem de Aço

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Depois de cinco filmes e sete anos de hiato, Superman voltou para os cinemas. O personagem sofre bastante com suas adaptações. Foi um ótimo filme com o Christopher Reeve, um bacana e dois porcarias. Bryan Singer tentou reavivar o herói na mente das pessoas com o mediano Superman – O Retorno. Agora é a vez do Christopher Nolan e do Zack Snyder apresentarem sua visão.

É basicamente a mesma história do filme de 1978. Uma origem do Superman. Enquanto lá a falta de recursos forçava um filme mais lento e limitado, aqui os criadores estavam livres para fazer o Superman mais realista possível. Ele voa em velocidades absurdas, atravessa paredes como se não fossem nada e realmente é um deus nesse nosso mundinho.
O filme é dividido em três partes. A primeira no planeta Krypton, acompanhando Jor-El tentando salvar o filho do fim do mundo. A segunda com o filho entendendo seu lugar entre sua origem extraterrena e sua educação terráquea. E a terceira com o embate com o supervilão.
Falando assim o filme parece episódico, mas não é. Todas as três partes são bem costuradas entre si. A história tem uma continuidade que funciona muito bem. É possível ver o desenvolvimento dos personagens e da mensagem através delas.
O Superman é um personagem complicado de fazer. Sua moral exacerbada e seus poderes excessivos fazem com que seja muito fácil de cair no ridículo. Mas a essência do personagem é o que faz ele ser tão interessante. Ele é um símbolo de esperança de uma civilização mais avançada. É a estrela guia que levará a humanidade para um futuro melhor.

Mais que um herói, um guia para um futuro brilhante.
Mais que um herói, um guia para um futuro brilhante.

O filme trabalha isso muito bem, até chegar na terceira parte. Vemos a origem dele em Krypton, com uma espécie muito mais avançada e ao mesmo tempo perdida. Depois acompanhamos ele deslocado entre os seres humanos até aprender como conviver entre eles. Quando chega na terceira parte, o filme joga toda a moralidade do personagem pela janela em nome de cenas de ação.
Fica bem claro que isso é culpa do Zack Snyder. Ele fez isso em Watchmen, em Sucker Punch, em quase tudo que dirigiu desde que realizou 300. Ele esbanja tanto seu padrão estético e visual que ofusca a história que quer contar. A ação e os superpoderes ganham tanto destaque que a mensagem por trás do personagem é jogada no chão, torturada e largada na rua para morrer esquecida.
A primeira vez que o personagem começa uma luta contra um dos vilões, ele com certeza mata uma galera que estava lá de boa. Tudo para ter uma piada. É esse o valor que Snyder dá para os contextos de seus filmes. Uma piada é mais importante.
Como o Superman é um personagem tão importante para a Warner, o orçamento foi ilimitado. O que permitiu ao diretor ficar destruindo Metrópolis e Smallville por uma hora. Com direito ao Superman arrebentando prédios e matando pessoas com o intuito de criar aquelas cenas de ação absurdas.
Mas o roteiro trabalha o personagem muito bem fora desse terceiro ato burro. Existe toda a analogia com Jesus. A construção dele como uma pessoa perdida é muito bonita. Os momentos do Clark criança obrigado a restringir seus poderes porque pode machucar os outros são muito singelos, principalmente na interação com o pai adotivo, Jonathan Kent.
É a raiz do que é o Superman. Um homem que não pode errar nunca, porque seu erro significa muito mais que os dos outros. O filme usa a imagem do pai para mostrar isso. Palmas para a participação do Kevin Costner, que passa esse misto de ternura e responsabilidade.
Jonathan com Clark. Os melhores momentos do filme.
Jonathan com Clark. Os melhores momentos do filme.

Snyder registra esses momentos de forma intimista. Cheio de planos detalhes e câmera na mão. Parece que estamos ali, com Jonathan e Clark, discutindo o valor de seus poderes e o homem que ele pode vir a ser.
O diretor deveria tentar fazer filmes mais intimistas. A singeleza da parte humana mostra que ele tem o talento para isso. Tem construção de ambientação bem feita. Quando vira blockbuster é que ele fica corrido. Por mais interessante e envolvente que o roteiro seja, corre entre as ações. Tira o espectador das cenas. E muitas vezes causa comédia involuntária.
Em uma cena, a Lois está em uma geleira tentando investigar uma pista para o Superman. Então ela simplesmente se mete em um espaço impossível com uma câmera na mão. Depois de tanto cuidado para criar uma verossimilhança para aquele universo, isso parece uma piada.
Aqui e ali os personagens dizem umas falas sem sentido, com o objetivo de explicar o que está acontecendo para o espectador. Um personagem entende a ciência por trás de uma ação de Zod, explica em termos cientifícos e logo em seguida explica de novo em termos leigos. Tudo para deixar claro para o espectador que não conseguiu pensar o bastante para entender.
O vilão, General Zod, é interessantíssimo e propõe um conflito final muito bom para a moralidade do Superman. O problema desse conflito final, que muitos fãs do personagem vão odiar, é que o herói passa por ele para salvar quatro pessoas. Sendo que na última hora ele estava matando gente a rodo sem preocupação nenhuma. O conflito perde seu valor.
A fotografia é uma das coisas mais lindas que os filmes de super-heróis já viram. Trabalha muito bem a construção de Clark em um deus entre os humanos. Os enquadramentos engrandecem quando é preciso e tratam com sutileza na hora certa.
O elenco é um primor. O Jor-El do Russel Crowe é o que o personagem sempre mereceu ser. Já falei e repito o quanto o Jonathan Kent do Kevin Costner é inspirador. A Diane Lane como Martha é que destoa, cheia de momentos ridículos. A Amy Adams faz uma boa jornalista, o que é ótimo para a Lois Lane. O Michael Shannon constrói um compreensível e ameaçador General Zod. E o novo queridinho, Henry Cavill, está correto como o herói icônico, mas nada demais. Destaque para o coronel coadjuvante do Christopher Meloni.
A trilha do John Williams não deixa saudades. O Hans Zimmer fez uma marcha ótima, que combina com o conceito do personagem. O problema é que toda a trilha é só uma repetição contínua do mesmo tema. No final do filme já enjoou.
Apesar do excesso de defeitos, O Homem de Aço é um filmaço pelas primeiras partes. Mas o final é uma decepção tão grande que entristece depois de toda a maravilha que veio antes. Tenho fé em uma continuação menos megalomaníaca.
 
FANTASTIC…

3 comentários em “O Homem de Aço

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