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Ricki and the Flash – De Volta Para Casa

Ricki-and-the-Flash

Ricki Rendazzo (Meryl Streep) é a vocalista de uma banda de rock. Quando recebe uma ligação do ex-marido Peter (Kevin Kline) porque a filha deles, Julie (Mamie Gummer) passa por uma fase depressiva pesada após ser abandonada pelo esposo, ela volta para ajudar a filha e precisa confrontar as consequências de ter abandonado a família com três filhos para seguir o sonho de ser artista.

Talvez a maior injustiça relacionada a este filme é que, apenas por ser pequeno, a divulgação foi mínima. Principalmente quando se leva em conta a atriz principal, a roteirista e o diretor. Se é difícil não perceber a presença da Meryl Streep como face da protagonista, o texto de Diablo Cody e o comando de Jonathan Demme só podem ser conferidos ao assistir à produção.

Cody se revelou no ótimo roteiro de Juno, no qual surpreendeu muitas pessoas ao fazer uma personagem feminina, inteligente e complexa. Isso em meio a temas complicados como gravidez adolescente, abandono familiar, adoção e até aborto. Sempre que ela faz algo novo, envolve mulheres fortes, independentes e falhas em histórias conduzidas por ótimos diálogos. Ao mesmo tempo em que é defeituoso ao precisar que falas expliquem o que acontece, a riqueza do texto que explora os mínimos detalhes das interações humanas compensa.

background_activities   Peter e Julie. Família abandonada.

Para demonstrar como ainda existem sentimentos românticos entre Ricki e Peter, Diablo conduz uma longa interação em que ela o faz se soltar da disciplina constante até ele não se conter e demonstrar afeto pela ex-mulher. A explicação para o ato se dá através da conclusão dela ao dizer “Você precisava me tocar”. É explicado pelo texto, mas as palavras são bem escolhidas e não soam forçadas. Ajuda ter dois atores dos calibres da Meryl Streep e do Kevin Kline na cena.

Ainda mais quando o diretor é o Jonathan Demme. Sem a grande inventividade que lhe deu fama com O Silêncio dos Inocentes, Demme sabe que o forte das cenas são os atores e as falas. Então dá destaque para isso. Cada movimento de câmera, escolha de enquadramento e uso da luz nos cenários e objetos serve a isso. Nas cenas em que Ricki está com os familiares e as conversas elevam de volume e constrangimento, a lente abre apenas o suficiente para que pessoas desconhecidas sejam vistas nos ambientes. Sutilmente passa o embaraço dos personagens para o espectador.

A trilha sonora conta com clássicos do rock e coisas pop recentes. É raro ver uma lista de músicas que misture Rolling Stones e Lady Gaga. Fica ainda mais significativo quando é a Meryl Streep quem canta ao lado do músico Rick Springfield.

zzz22Meryl Streep canta grande parte das músicas.

Streep está ótima como a mãe que sente culpa por ter escolhido os sonhos no lugar da família. Uma interpretação digna da indicação Meryl Streep do ano. Kevin Kline está ótimo como um homem de vida regrada e com urgência de vida por baixo da disciplina. A Mamie Gummer, assim como a irmã Gracie, se despe de qualquer vaidade para criar uma mulher perdida dentro de uma pequena tragédia pessoal.

Um ótimo filme que merece ser descoberto pelo espectador pagante de ingresso. Principalmente para quem sente falta de papéis femininos fortes no cinema. Sobra talento e qualidade em Rick and the Flash. O filme, infelizmente, não se predispõe a ser grandioso ou complexo. E por isso mesmo não é mais. Ainda assim, é ótimo.

 

FANTASTIC…

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