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Mad Max – Além da Cúpula do Trovão

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Mad Max é uma trilogia que exigia um remake, reboot ou o que quer que seja este filme novo que estreia quinta. Os três filmes originais envelheceram mal demais. Se do primeiro nada é salvo e o o segundo tem roteiro e violência adequados, este terceiro é apenas bobo. A montagem e a construção narrativa ficaram ultrapassadas.

Max (Gibson) vaga pelos desertos pós-apocalípticos com o carro sem combustível e vários camelos. Ele é roubado e perde tudo. Ao seguir a trilha, chega à cidade Bartertown, comandada pela tia Entity (Turner). Para conseguir o veículo de volta, ele precisa fazer favores para ela.

A trilogia foi a tentativa do cineasta George Miller de fazer a versão pessoal dele do herói de mil faces. Nos dois primeiros é fácil reconhecer os passos da jornada do herói para a vida do Max maluco. Herói receoso aceita relutantemente confrontar um grupo de baderneiros em mundo distópico do futuro. No primeiro é a vingança pela perda da família. No segundo, é o auxílio aos habitantes de uma cidade para escapar com combustível. Aqui é salvar crianças, no que é uma tentativa um tanto quanto falha de chamar um público infanto-juvenil para a franquia.

thunderdomeGibson cercado por crianças. Tentativa de atingir público mais jovem.

Miller cria primeiros atos desnecessariamente longos para os filmes. Apresenta a situação de Max, os vilões, as pessoas em perigo e eventualmente os contextos para as perseguições de carro que serão o clímax por muito tempo. Aqui o primeiro ato funciona até bem, com a exploração de Bartertown e a população local. É o mundo sujo, violento e bizarro de Mad Max. As pessoas usam roupas rasgadas, vivem na merda e são exageradas.

Depois de uns quarenta minutos, Max chega ao deserto onde encontra a infame parte das crianças. Depois de um monte de violência e coisas que condizem com a série, o filme vira Peter Pan. Ele literalmente pausa o ritmo que seguia para passar mais ou menos meia hora com esse monte de meninos perdidos que não têm graça, não despertam simpatia e irritam. Com o tempo nessa molecada, o espectador esquece que Bartertown existe, até que ela reaparece e une as crianças aos bandidos, o que vai criar a confusão final.

Ao término, metade das crianças são abandonadas no deserto e uma mensagem de esperança vergonhosa toma conta da produção. Miller pelo menos é um bom diretor de cenas. As imagens são muito bem filmadas, com enquadramentos expressivos típicos da década de 1980. A câmera passa de imagens de perigo para enquadrar closes da reação dos atores. É parte da estética pulp que George Lucas e Steven Spielberg criaram antes e funcionaria muito bem de novo se não fosse a péssima história e o ritmo sofrível.

mad-max-3-max-and-auntieTina Turner deveria passar vergonha, mas o mundo de exageros a recebe bem.

Mel Gibson quase não tem falas e nunca convence como Max. Em certas cenas ele sequer parece interessado em interpretar. A Tina Turner está tresloucada como o mundo que Miller criou. Os excessos dela são adequados. O resto do elenco sofre com um inimigo menor que deveria ser uma ameaça maior. Interpretado por um baixinho esquisito e fora de forma, é nada se comparado ao eterno Humungus do filme anterior.

A pior forma de criar empolgação para o novo filme (também escrito e dirigido por Miller) é rever a trilogia antiga. O diretor se provou bom e capaz diversas vezes depois (O Óleo de Lorenzo, As Bruxas de Eastwick, Happy Feet e Babe – O Porquinho Atrapalhado). Tudo indica que a reinvenção será adequada à linguagem atual e deixará de lado a trapalhada que deveria ficar esquecida.

 

GERÔNIMOOOOOOOO…

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