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O Poderoso Chefão II

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O Cinemark fez uma brincadeira divertida com suas sessões de clássicos. A segunda temporada abriu com O Poderoso Chefão e agora, na segunda temporada, começou com a continuação, o que dá para o espectador a oportunidade de acompanhar a saga de degeneração do mafioso Michael Corleone na ordem correta nos cinemas.

Líder de todas as famílias de gangster de Nova Iorque, Michael Corleone (Pacino) sofre uma tentativa de assassinato. Para descobrir quem foram os envolvidos, passa a espalhar mentiras entre os suspeitos com um plano em mente. Em paralelo, a trama mostra a transformação de Vito Corleone de um inocente garoto siciliano no grande chefe de uma família mafiosa.
Se o primeiro filme mostrou a regressão moral de Michael, este segundo mostra como essa degeneração afeta sua vida. Antes construiu seu império de poder, agora o império destrói sua vida pessoal. Em diversos níveis, familiar, fraternal e até de amizades, as relações de Michael são postas em frangalhos. O filme foge bastante do retrato criminoso do primeiro para se focar nesse suspense pessoal.
Daí surge a divisão de gostos. Para quem gosta da retratação deste universo violento e perigoso, o primeiro filme é muito mais satisfatório e divertido. Para quem gosta do foco intimista de um homem que tem sua personalidade deturpada, o segundo pode ser mais poderoso e interessante. Ainda assim, os dois são filmes extraordinários.

GodfatherVitoJongRobert De Niro como o jovem Vito. Digno da comparação com Marlon Brando.

Copolla retoma a fotografia do primeiro filme com os fortes tons de sépia e mais uma vez cria imagens icônicas. Com um brilhante jogo de sombras, os atores e elementos tem suas intenções escondidas pela falta de luz. São composições bonitas que vão além da beleza e contam a história. Quando viaja para o passado da família e mostra a história de Vito em Nova Iorque, a película ganha toda uma camada nova de grãos, que fazem parecer que as imagens foram filmadas em tempos anteriores ao resto do filme.
Depois do sucesso estrondoso do original, a Paramount jogou dinheiro em Copolla para que ele fizesse o filme a seu bel prazer. Ele aproveitou para criar cenas de escala enormes, com centenas de figurantes. Cada um com figurino detalhista, em cenários imensos, com movimentos de câmeras complicados e uma direção cuidadosa. Deve ter sido trabalhoso, mas foi bem gasto, porque dá mais vida e deixa a ambientação mais vibrante.
Michael torna-se cada vez mais um homem frio, calculista e deturpado. E com essa mesma frieza, Copolla mostra os eventos que vão destruindo a alma e o mundo ao redor do personagem. É impiedoso na hora de mostrar as maldades e crueldades que caem sobre as vidas de todas aquelas pessoas. A cada uma, mais Michael se perde. A narrativa é brutal e avassaladora, chegando ao ápice da maldade do protagonista com a violência contra a própria família.

urlMichael com o irmão Fredo. Corações partidos.

Al Pacino está espetacular com a construção minimalista e nervosa de Michael. Robert De Niro parece encarnar a interpretação do Marlon Brando para viver o Vito Corleone mais jovem. O Oscar que ganhou pelo papel foi mais que merecido. A Diane Keaton consegue ter mais presença de cena que no filme anterior, mesmo que sua personagem tenha participação menor. O Robert Duvall faz com que seu Tom Hagen ganhe tons mais trágicos como o representante da família que nunca receberá o valor que merece.
O Poderoso Chefão II é o segundo degrau ideal para uma das grandes, senão a maior, trilogia já realizada. Que a próxima temporada dos Clássicos do Cinemark permita ao espectador fechar a jornada com Michael e seus filhos no terceiro filme que não é ruim, como muitos teimam em afirmar.
 
FANTASTIC…

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