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Lovelace

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Lovelace é um filme que engana bastante. Principalmente porque as notícias relacionadas à produção normalmente falavam apenas sobre a Lindsay Lohan ou a Amanda Seyfried. Ninguém falava sobre o que o filme retrataria de verdade, queriam apenas ver uma das duas estrelas interpretando cenas em um filme sobre a indústria pornográfica. Felizmente, Lovelace é muito mais do que isso.

Para quem não conhece a história. Linda Lovelace foi a atriz principal do filme pornográfico mais rentável da história, Garganta Profunda. Foi o único filme de Linda em sua carreira pornográfica, após seis anos ela começou uma campanha contra a indústria que a fez famosa ao lançar o livro Ordeal, em que relata os abusos que a levaram a participar do filme.

Posso falar logo de cara, Lovelace é sobre essa história, não sobre a Amanda Seyfried fazendo cenas de sexo. Existem momentos de nudez e sexo com ela, mas em contraste com o resto do filme, fica ofuscado. Porque a jornada de Linda é uma jornada tortuosa, cheia de sofrimento e preconceito.

Linda Boreman era uma adolescente que saiu de casa para casar com o namorado porque queria fugir da presença perturbadora da mãe. Daí para o momento em que virou a grande estrela pornô, o filme revela as dificuldades que ela e o marido passaram. Passa a impressão de que ela entrou para a indústria porque realmente queria ajudar na situação financeira no casamento. Então o filme volta no tempo para mostrar tudo isso de novo, mas agora pelo ponto de vista da Linda. A verdade por trás da imagem que era vendida é feia e brutal.

Linda e seu "amoroso" marido. Segredos sórdidos.
Linda e seu “amoroso” marido. Segredos sórdidos.

Lovelace ganha muitos pontos apenas por isso. É uma história fechada na vida da pessoa retratada. É um ponto muito bom para o roteiro. Somado à ótima montagem o resultado é um filme com um excelente ritmo e uma estrutura muito fluída.

A fotografia estoura o granulado e diminui a saturação, passando a impressão de ser um filme antigo, da época que retrata. A direção de arte também impressiona, principalmente com a maquiagem. A Amanda Seyfried parece outra pessoa.

O elenco está afiado. Seyfried não passa vergonha ao criar a protagonista em seus diversos momentos e ousa com muita nudez e honestidade. O Peter Sarsgaard é sempre maravilhoso em cena. Aqui ele some por trás do primeiro marido de Linda, Chuck Traynor. A Sharon Stone está irreconhecível como a mãe de Linda. Mas quem brilha de verdade é o Robert Patrick. O ator tem a cena mais bonita do filme na qual conversa com a filha sobre o filme que ela realizou.

Uma reflexão interessante sobre a indústria pornográfica, além de uma história bonita e bem contada. Altamente recomendado.

 

GERÔNIMOOOOOOO…

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