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Brightburn – Filho das Trevas (Brightburn – 2019)

De vez em quando um diretor cuja carreira foi voltada para um nicho de filmes b ganha o orçamento adequado e revela uma visão única e diferente. Aconteceu com gente como o James Cameron na década de 1980, e de novo com o James Gunn. Diretor dos estúdios de galhofas Troma, ele surpreendeu muita gente com a sátira “séria” de super-heróis com Super e, depois da fama com Guardiões da Galáxia, ele pôde fazer outra revisão de heróis. Desta vez com o maior deles, o Superman.

O casal Tori (Elizabeth Banks) e Kyle (David Denman) Breyer vive na cidade do interior do Kansas, Brightburn, e sonha em ter um filho. Numa noite, uma nave cai do céu com um bebê dentro, que eles resolvem adotar. Doze anos depois, Brandon (Jackson A. Dunn) começa a descobrir poderes como voar, visão de raio laser, super força e resistência a qualquer ferida. Ao mesmo tempo em que a nave passa a mandar mensagens telepáticas para ele.

A ideia é esperta de duas formas. Por um lado, o filme parece mirar diretamente em Homem de Aço, um dos ícones do infame universo cinematográfico da DC (editora de quadrinhos concorrente da Marvel). Por outro, ele faz perguntas muito simples que revelam as incoerências do personagem clássico. Sem contar que é difícil pensar em um monstro de filme de terror mais perigoso que um Superman maligno.

MARTHAAAAAAAAA!!!

No entanto, Gunn é o produtor do filme. A direção ficou nas mãos eficientes de David Yarovesky, que segue a estética de Homem de Aço à risca para construir o mundo humano da história. No entanto, quando Brandon começa a descobrir os poderes, e o lado adolescente e alienígena começam a dar as caras, o estilo muda abertamente para o horror.

De dia, com pessoas na vida comum de interior dos Estados Unidos, a câmera passa de imagens de ambientação em planos detalhes de balanços e máquinas de arar, para seguir de forma tremida os personagens de perto, em um estilo semi-documental, tal qual o usado por Zack Snyder na leitura do Superman dele.

Para o terror, Yarovesky e os roteirista Brian e Mark Gunn são espertos ao fazer cenas que assustam, mas que não utilizam sustos fáceis para isso. Quando os personagens percebem o risco da presença do menino super poderoso, a fotografia fica escura (o que ajuda a realçar os olhos que brilham vermelho em vultos) e os ataques dele sempre são perfeitamente visíveis. Ele não precisa se esconder para pegar as pessoas desprevenidas devido ao nível do poder que tem. Então ele até brinca para dar medo, mas não tem interesse em assustar. O que, é claro, aumenta a tensão para o espectador.

Com esses olhinhos, é fácil filmar cenas de terror.

No entanto, o texto dos primos de James Gunn foca apenas no horror. Então eles passam de uma contextualização rápida da vida dos Breyers, mostram a descoberta acelerada dos poderes de Brandon, para começar o festival de gore e violência. As motivações dele são incertas e nem sempre parecem coerentes entre as coisas que ele quer, que faz e que foram mostradas antes.

Ainda assim, isso é suplantado pela curta duração. Brightburn tem 91 minutos enxutos, que nunca deixam a trama cair na morosidade. Todas as cenas são importantes e fazem a história seguir adiante. E como se trata de uma produção simples de horror, é o suficiente para escalar a tensão e o suspense até um final satisfatório, apesar de previsível e preguiçoso.

À princípio parece uma piada com o Superman, mas Brightburn é mais uma reflexão sobre a ideia por trás do personagem. Em especial, sobre a ingenuidade de um escoteiro alienígena que representa todos os ideais moralistas dos Estados Unidos. É quase uma crítica a certos padrões narrativos. Além do que, é melhor que mais da metade dos filmes atuais da DC nos cinemas.

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