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O Sequestro do Metrô

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Não confunda esse filme com o lançado a poucos anos com o John Travolta e o Denzel Washignton. O remake do Tony Scott é uma reinvenção da história do sequestro de um vagão de metro. A proposta é diferente e por isso mesmo o todo é tão diferente. Este aqui, com o Walter Matthau e o Robert Shaw é um thriller. E um dos bons.

O remake recente usava a história para tentar construir a imagem de um herói urbano e moderno, saído do lugar comum e heróico justamente por não querer ser mais do que ele realmente é. Achei interessante, mas a trama não era sobre aquilo. O outro, de 1974, é sobre o assalto. Não tem maniqueísmo, é sobre um policial tentando prender quatro bandidos.
O filme não fica apresentando os personagens, começa simples, com o sequestro do vagão e encerra com a cena que fecha a história do policial e dos bandidos. Não precisa de mais, de algo mais profundo. É sobre o suspense, sobre a ambientação, a espectativa pelo que vai acontecer a seguir.
Quatro homens tomam controle sobre um vagão de metro e pedem um milhão de dólares pelas vidas dos reféns. Um policial de transportes faz as negociações. Não tem questionamento sobre a moral do negociador, nem sobre o existencialismo do líder do bando. E nesse sentido o filme ganha muito. Apesar de não ser nada mais além de entretenimento, é entretenimento bem feito.
O roteiro é redondinho, mas não trata o espectador como ser pensante. Constantemente o personagem do Walter Matthau, o policial da estação, precisa ficar explicando como ele deduziu isso ou aquilo. Para isso, surgem personagens convenientemente fazendo perguntas para ele responder e explicar para a platéia o que está acontecendo.
Além disso, o policial é esperto demais nos momentos convenientes. Percebe um plano no momento ideal para que o suspense seja mantido ou quebrado na hora certa, muitas vezes de forma um tanto ilógica. Mas o filme ainda funciona. Fica um suspense constante e a sensação de que o tempo vai acabar para salvar a vida daquelas pessoas.
O elenco é ótimo. Além dos já citados Walter Mathau e Robert Shaw, o primeiro um pouco fora de lugar e o segundo excelente, ainda temos um jovem Hector Elizondo, se divertindo no papel do bandido psicótico e o Jerry Stiler se contendo para manter o clima de suspense.
O filme foi feito pra ser entretenimento e não tenta fugir disso. Quando o suspense está alto demais ou fora de lugar, ele solta uma piadinha pequena que controla a ambientação e deixa o espectador um pouco mais solto.
Rápido, curto e cumpridor de sua função. Não é um grande filme, mas é bom e funciona muito bem. Recomendo assistir junto de O Grande Golpe do Kubrick, fica clara a influência dos dois sobre Cães de Aluguel.
 
GERÔNIMOOOOOOO…

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